Achava mesmo em fevereiro que ia ter condições de escrever com frequência nesta ferramenta on-line. Só deu mesmo papel e caneta. Aparentemente estar na zona rural de Nazaré Paulista, a 60 quilômetros de São Paulo, já é distância interiorana bastante para afundar as pessoas num vale (para não dizer vala) sem comunicação. As operadoras culpam a geografia e oferecem como a melhor opção a conexão via satélite, que falha quando venta, chove e até com muito sol, o que poderia ser relevado se não fosse o plano de dados que evapora como água e pesa mais no orçamento que o combustível, o mercado e a luz. Ah! A luz. Também falta bastante. Seria bucólico se o abastecimento de água da casa não dependesse de energia elétrica.
Essa litania (talvez esse devia ser o nome do post, ou da página mesmo) não é só para mostrar que a vida de neo-rural tem seus percalços, embora tenha e não sejam esses apenas; não é para justificar a demora em escrever nesse blog. É só para me ajudar a ter clareza das coisas que não posso mudar. O tempo aqui é outro mesmo. Devia ter persistido em ser "blogger" quando vivi na metrópole e havia as condições, as técnicas pelo menos. Agora é tarde. Nem sei se faz algum sentido usar uma ferramenta que ninguém mais usa e escrever sobre coisas que ninguém lê, até porque ainda não tive coragem de contar da existência dessa página. Mas sentido é algo difícil de achar com o mundo do avesso e o desgoverno do Brasil deixando tanta gente morrer porque deve ser bom para os negócios de alguém.
Então que as postagens sejam mesmo espaçadas, que os textos sejam mesmo desabafos enquanto as intempéries assim obrigarem. Nesses intervalos, interlúdios, interrupções, intermitências cuido da família, dos cachorros, da casa, da horta, do jardim; leio os e-books baratinhos do Kindle, os livros da caixinha da TAG (mantive alguns "luxos" para o fardo ser mais leve) e tento produzir algo no ateliê, ainda que sejam desenhos e gravuras de tolices aparentes, como asas de borboletas, o colorido das estações do ano ou o corte da mata que não cessa. Estar viva no Brasil de 2021 já é a maior importância.
